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Hot Girls Wanted e a parte da pornografia que não queremos ver


Todo mundo já assistiu, assiste ou assistirá pornografia durante a vida. A procura por sites do tipo é tão grande, que se tornou algo completamente normal na sociedade. Muitos associam a vida das atrizes com luxo e fama, outros afirmam que assim como a prostituição, ela é escolha das mulheres e pode ser empoderadora para a sexualidade das mesmas, será? A quem a indústria pornográfica traz sucesso profissional e empoderamento?

Hot Girls Wanted é um documentário lançado pela Netflix, em maio de 2015, e fala sobre o cotidiano de jovens atrizes pornôs em Miami. As personagens principais são moças de 18 a 25 anos, de várias partes dos Estados Unidos, que entram nessa carreira sob a promessa de fama e dinheiro fácil.

No início do documentário, Rachel Bernard (18 anos)– conhecida no cenário como Ava Taylor e Tressa Silguero (19 anos) – conhecida como Stella May, conversam sobre o sonho de se tornarem grandes estrelas. Em seu discurso, falam sobre o desejo de ter uma vida diferente e o fascínio pelas festas, carros e lugares que terão acesso a partir deste trabalho. 


No decorrer do roteiro, o ambiente de alegria, satisfação, liberdade e empoderamento vai mudando e mostrando jovens cansadas, fazendo várias cenas por semana, muitas delas extremamente abusivas – como a que o homem enfia o pênis tão profundamente na garganta da atriz, até que ela vomite, e ainda tendo que se promover na internet, pois se você não alcança visualizações suficientes, a carreira que não dura mais do que um ano, pode ser reduzida para até três meses.

Bom, sem mais spoilers, o objetivo desse texto é propor uma reflexão sobre a pornografia, que possa ir além do “sentir-se bem” e chegue no ponto onde ela se torna enriquecedora e satisfatória para os homens, enquanto explora e empobrece mulheres. Não são só homens que assistem filmes pornôs, mas é inquestionável que eles são feitos baseados nos fetiches do público masculino: Mulheres de todos os jeitos, sempre loucas por sexo e muitas vezes fazendo coisas extremamente abusivas, como se estivessem gostando, muitas delas aparentando ser adolescentes, e convenhamos, esses estereótipos refletem muito a cultura do estupro, assim como a pedofilia.

As atrizes são as mais prejudicadas, além de ser algo cansativo, muitas desenvolvem complicações na saúde, DST's – existem lugares onde não é obrigatório o uso de camisinha nas gravações, outras para aguentar o ritmo do trabalho, se viciam em drogas. Tudo isso para não ficar nem com mais da metade do que ganham, pois precisam pagar uma parte aos seus agentes, comprar roupas íntimas, cuidar da aparência e da saúde.

Você deve estar pensando “mas é escolha delas”, sim, nenhuma delas é obrigada a fazer isso, porém, o que leva meninas tão jovens a querer deixar de lado os estudos, a família e os amigos para entrar em algo desconhecido? Provavelmente o que foi citado no terceiro parágrafo: O incentivo ao consumo, a ilusão de dinheiro fácil, o desejo de liberdade, acaba fazendo com que mulheres caiam nessas armadilhas.

E qual a solução? Infelizmente a curto prazo não há nenhuma. O capitalismo e o patriarcado sempre caminharão juntos para explorar os corpos das mulheres, entretanto um bom começo seria que as pessoas parassem para enxergar a pornografia além da tela do computador, pois nos bastidores – assim como na prostituição, muitas delas morrem, sofrem e são exploradas, para que fetiches sejam vendidos.

P.S: Outro documentário sobre isso é o “After Porn Ends”.

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