Música
Pelo sangue dos esquecidos, a voz do Menestréis MC's.
Nascidos e criados na periferia de João Pessoa, o grupo Menestréis Mc's vem ganhando destaque no cenário musical paraibano. Com suas letras repletas de críticas às opressões – racismo, elitismo, violência policial, entre outras, o grupo composto por Peter Fé de Mangabeira, Edgar Silva do Valentina e Daniel Atalaia, do José Américo, estão com um novo disco e videoclipe, intitulados de “A crônica dos esquecidos”, que serão lançados a partir do dia oito de novembro, em vários pontos da capital. Confere aí a entrevista com essa galera instigada.
Para começo de conversa, como e quando aconteceu o surgimento do grupo?
O MMC'S foi criado em dezembro de 2012 por Peter, Edgar e Thay Vieira, em 2013 foi lançado na internet o primeiro trabalho independente: um CD demo com 5 faixas para download. No ano de 2014, o grupo encara a saída de Thay e a entrada de Daniel. A partir daí surgem novas ideias, novos caminhos e no final do mesmo ano, os Menestréis em parceria com o produtor cultural Gerard Miranda e o Coletivo CIC, realizaram uma ação social o lançamento do 1º clipe do grupo - “Atitude ilegal”, na ocupação Tijolinho Vermelho.
Hoje em dia, muitos artistas preferem fazer músicas com letras mais “comerciais”, sem abordar temas polêmicos, já vocês trazem em suas músicas muitas críticas sociais. Para vocês qual a importância de usar a música como uma espécie de protesto? Vocês acham que através dela, as pessoas podem desenvolver mais consciência?
R.A.P Revolução, através, das palavras. Essa sigla já diz tudo, nosso grupo é militante, é rua, é ocupação, é a voz dos esquecidos, desde do pichador, até a tia da quebrada que tem que catar reciclagem para sobreviver. Nosso som não tem maquiagem, é a verdade nua e crua na cara. Não temos nada contra quem faz um rap com letras mais comerciais, só que essa ideia não é pro Menestréis, nosso negócio é ser a pedra do sapato, incomodar os verdadeiros vilões, é levar o sorriso de volta pra quebrada e gritar “estamos aqui”, abrir o olho da molecada que tá se matando por nada, vamos viver por algo que vale a pena morrer: A busca pela igualdade.
Falem um pouco sobre o lançamento do álbum e do clipe que acontecerá em breve.
O cd "A crônica dos esquecidos” contará com 11 músicas, todas elas continuarão seguindo a temática de crítica ao sistema. Tanto o álbum quanto o clipe que leva o mesmo nome, serão lançados a partir do dia oito de novembro, numa super produção com uma festa no Porto do Capim, onde nós iremos receber convidados, vai rolar mutirão de graffiti, break, distribuição de livros e muito mais.
O clipe “A crônica dos esquecidos”, que já está rolando no Youtube, ficou maravilhoso e todo mundo já está compartilhando, por quem ele foi dirigido e onde aconteceram as gravações?
Foi dirigido por Arthur Moura da 202 filmes (RJ), em parceria com o Coletivo CIC, com produção executiva de Ggerard Miranda, dentro do Projeto Residência CIC. Foi um dia inteiro de gravações em diferentes locais: cemitério da Boa sentença, no centro Mangabeira, no Geisel e na própria sede do CIC. Foi muito bom transformar música em vídeo.
Sobre a turnê: Vocês pretendem se apresentar fora de João Pessoa? Já tem algum lugar em mente?
As quatro apresentações que vão acontecer aqui em João Pessoa pra lançar o CD (Porto do Capim, UFPB, Tijolinho Vermelho e Espaço Mundo) são o pontapé inicial para as viagens de divulgação da Crônica dos Esquecidos que começará na Paraíba (cidades como Campina Grande, Patos, Cajazeiras), e seguirá pela turnê nacional em uma van do Coletivo CIC, uma van independente, com palco, som e toda estrutura para realização de eventos culturais. Essa van vai levar a turnê dos Menestréis por 10 estados e dará mobilidade para as ações culturais do hip hop paraibano pelo Brasil. A turnê tem produção executiva e direção geral de Gerard Miranda e Coletivo CIC.
Meninos, vocês já são muito conhecidos aqui em João Pessoa, chegando a se apresentar em festivais como o Grito Rock e todo mundo que assiste a um show de vocês fica arrepiado. Qual a sensação que vocês tem diante de tanto sucesso?
Acho muito massa que a galera se identifique com nossa ideia, temos muito ainda que aprender, evoluir, estamos apenas no começo, tem muita estrada pra caminhar, mais vamos sempre levar no peito a Paraíba e toda essa galera que sempre fortaleceu desde do início, só temos a agradecer. Eu (Atalaia) pretendo cantar rap até morrer, o que vier é lucro e vamos procurar sempre continuar levando rap, cultura e ideologia pra todos os nossos irmãos.
Turnê de lançamento: 08/11: Porto do Capim
22/11: Comunidade Tijolinho Vermelho
13/11: UFPB 28/11: Espaço Mundo.
Todas as apresentações serão gratuitas.
A crônica dos esquecidos
Atitude Ilegal

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