Música
Vieira e a poesia urbana que se transforma em canção
A primeira vez que eu ouvi o som do Vieira, foi na linha do tempo do Facebook, em um vídeo onde Arthur Vieira tocava a música Comercial Sul, no programa Happy Hour e logo de cara achei a música maravilhosa. Algum tempo depois o EP que conta com cinco faixas foi lançado, não pude deixar de ouvir e perceber que a qualidade entre elas não difere.
Com uma pegada de rock alternativo, misturado com MPB, as letras
falam muito sobre o cotidiano emocional das pessoas, o íntimo, o
introspectivo. Traz também algumas referências sobre a cidade de
João Pessoa – inclusive o nome de uma das músicas que também é
o título do EP, se trata de uma alusão ao Shopping Sul, localizado
no bairro dos Bancários, local onde foi realizada a composição da
maioria das faixas.
Tive a oportunidade de trocar uma ideia com Arthur – idealizador do
Vieira, vocal e guitarra. A conversa aconteceu na Praça da Paz –
lugar onde tudo começou, e foi tão tranquila, que a gente até
esqueceu que era uma entrevista.
O que te motivou
a compor as músicas aqui na Praça da Paz?
Foi praticamente
tudo composto aqui na praça no anfiteatro. Na época eu tinha uma
banda com um amigo e tanto a casa dele, quanto o estúdio onde a
gente gravava, ficava nessas imediações. Então nossa rotina era
sempre por aqui – ensaiava, ia para o estúdio, depois ficava pela
praça tirando um som, conversando, a gente chegava a madrugar. Aqui
era como uma espécie de lugar escape, tanto que a música Comercial
sul e que também é o nome do EP, é uma alusão ao Shopping Sul.
Depois a banda acabou e eu fiquei com algumas músicas compostas, já
tínhamos gravado uma música chamada Astrud, e eu acabei usando isso
no Vieira.
Quer dizer que a canção Comercial Sul, você compôs pra banda que acabou?
Na verdade eu compus
para o mundo. Aí a forma que eu repassei a música foi no projeto,
que eu já tinha tido a ideia.
Agora uma
pergunta clichê, que eu acho que muita gente já deve ter te
perguntado: O EP tem uma pegada mais psicodélica, o que ou
quem te inspirou para colocar isso nas músicas?
Eu não pensei
“agora eu vou gravar uma música com reverb”. Minha mãe gostava
muito de MPB, então artistas como Cássia Eller e Tim Maia, fizeram
parte da minha infância. Atualmente eu gosto
bastante de bandas
psicodélicas como Beatles, Pink Floyd e até Tame Impala que é mais
atual, e creio que tudo isso que eu ouvi e ouço com mais frequência, me influenciou.
E tudo isso
misturado acabou ficando muito massa.
Então, é isso que
dá a originalidade das coisas.
O Vieira
atualmente é composto por você e mais quem?
Muitas pessoas já
passaram pelo projeto. Começou comigo e Ernani, pensamos de início
em uma parada mais eletrônica e interna, produzindo em casa, mas aí
depois eu conheci outras pessoas, alguns precisaram se afastar do
projeto por questões pessoais e atualmente estão comigo Marcus Menezes (bateria),
Lee Cavalcante (guitarra e voz) – que já havia tocado comigo em outras bandas e Raphael (baixo e voz) que eu
conheci aqui na praça, na época das composições.
Vocês tem plano
de ir tocar fora do estado, em outras regiões?
Quando você lança
um disco, sempre tem o objetivo de fazer as pessoas ouvirem e fazer o
negócio circular da forma que der, então estamos em um momento de
articulação para que isso aconteça. Tudo tem suas etapas, a da
produção, para fazer aquilo existir, aí quando a coisa fica pronta
a gente pensa “caramba, isso existe”, e então vem o próximo
objetivo, que é levar para outros lugares.
Agora falando um
pouco sobre a produção: como foi ter a master do EP feita por Chuck
Hipolitho?
A gente já sacava o
que ele produzia, aí queria ver até onde podia chegar. Pensamos:
“Vamos fazer uma master em São Paulo, no Costella, porque achamos
que daria uma roupagem muito boa às músicas. A master não foi
feita só pelo próprio Chuck, mas por toda a equipe
que trabalha em
conjunto no estúdio. Procuramos experimentar coisas novas para fazer
uma parada mais personalizada.
Andando pelo
centro é possível ver as intervenções “Ouça Vieira”. De onde
surgiu a ideia e isso teve alguma repercussão?
Fui eu quem fiz na mão o stencil e foi meio que um teste, saí em um
domingo e fiz. Achei que surtiu um efeito porque se você viu, outras
pessoas viram e provavelmente se perguntaram “quem ou o que é
Vieira”? É por isso que eu gosto muito dessa cultura de
intervenções artísticas, se as pessoas agridem nossos olhos todos
os dias com propagandas de carros, que não vamos poder pagar nunca,
por que eu não posso chegar ali e deixar minha mensagem: “Ouça
Vieira”?
Vieira é uma das bandas confirmadas para o Festival Mundo, com show
marcado para o dia oito de novembro. Quem não conhece, dá uma
sacada no som deles, (Clique aqui para ouvir o EP), pois eu tenho certeza que vai curtir muito, assim como eu.


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