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Caso Valentina, hashtag #PrimeiroAssédio e relativização da pedofilia


Acho que todo mundo deve ter ouvido falar do caso da Valentina, a menina de 12 anos integrante do Master Chef Kids que começou a receber comentários misóginos e com apologia à pedofilia nas redes sociais. Muitas pessoas se revoltaram e começaram a contestar as declarações de assédio para com a menina, e para debater sobre o tema,  o coletivo Think Olga lançou uma hashtag no Twitter chamada #PrimeiroAssédio, para as mulheres desabafarem sobre o primeiro assédio que sofreram na vida, li alguns desses relatos com um nó na garganta.

Pois bem, junto dessas problematizações vieram – e sempre vem, as relativizações, comentários mais agressivos ainda, falando desde que as mulheres que criticaram, estavam com '‘inveja’', que meninas de 12 anos já fazem sexo e que pedófilos são pessoas doentes.

Meu problema com essa afirmação de que pedófilos são doentes, é que apaga toda a misoginia por trás disso e de certa forma dá uma “livrada” na imagem dos caras. Se todos os pedófilos têm alguma doença mental, então o que significa tantas declarações do tipo para uma criança de 12 anos? E por que há tantas histórias – muitas delas na campanha #PrimeiroAssédio? Será que é uma doença tão comum assim, que abrange um número tão grande de pessoas, em sua maioria homens?

Crianças e adolescentes ainda não tem plena consciência do que é bom para elas ou não, do que é consensual ou não, do que está lhes manipulando ou não. É por isso que muitas delas – principalmente meninas em situação de pobreza, acabam sendo enganadas por um presente, uma volta de carro, um sorvete e sofrendo abuso sexual.

Todo mundo diz que acredita em racismo, misoginia, pedofilia, todos dizem que pedófilos são pessoas ruins porém, quando chamam uma garota de '‘gostosa’' e são chamados assim, aí já dizem que é exagero, que foi “só uma brincadeira”.

A sua brincadeira querido abusa e traumatiza crianças pelo resto de suas vidas.
E enquanto a gente não desenvolver autocrítica e “ser menas”, parar de relativizar situações graves, tudo sempre se repetirá. Antes de relativizar pedofilia pense: E se fosse com sua filha?


(Desejo muita força pra Valentina e sua família, para as meninas que estão desabafando no Twitter e para as que passaram ou estão passando por pedofilia). 



 (Comentários negativos sobre a campanha #PrimeiroAssédio)

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