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Ele nunca foi embora: O falso moralismo do brasileiro e a popularização de ideias fascistas
No filme “Ele Está de Volta” de 2015, baseado no livro de mesmo nome, Hitler acorda de um longo sono e volta à Alemanha nos dias atuais. Acaba sendo confundido com um imitador perfeito do Fuhrer, ganhando visibilidade nacional e até ícone de opinião política. Em uma das últimas cenas (ALERTA DE SPOILER), quando o rapaz que lhe encontrou, percebe que se trata do verdadeiro Hitler e tenta matá-lo, acontece um diálogo que me chamou atenção.
Ao ser chamado de monstro Hitler pergunta ao rapaz “E quanto aos que me elegeram? São todos monstros?” Esta frase desperta uma reflexão interessante: Por que figuras conservadoras e fascistas conquistam seguidores e por que há um saudosismo com épocas e figuras que mataram e torturaram minorias como a ditadura militar no Brasil?
Com a crise econômica, a maioria da população se decepcionou com a política e com a falsa democracia. Sendo assim, quando surgem figuras como Bolsonaro, com discurso firme, engraçado, elas acabam tomando aquilo como verdade e sem saber ao certo para onde destilar sua raiva, acaba direcionando para minorias, a esquerda, o PT. No entanto, nada disto aconteceria se a população não fosse tão conservadora.
A população do Brasil é falsa moralista. O modo de vida da maioria dos brasileiros não é tão “santo” como prega o seu discurso, mas o dedo permanece apontado e as ofensas na ponta da língua. Talvez com o crescimento das igrejas neo-pentecostais e a popularização das redes sociais, tenha ficado mais nítido.
Todos se chocam com um caso de pedofilia que vem à tona, mas muitos fecham os olhos para o fato de que a maioria deles acontece dentro das casas da família tradicional brasileira, pelos famigerados cidadãos de bem. Muitos se chocaram com o assassinato da jovem Eloá em 2008, enquanto outros diziam que a culpa era dela por ter se envolvido com o rapaz. Da mesma forma acontece atualmente com muito mais força, nos comentários das notícias sobre estupro e feminicídio, havendo sempre muita culpabilização das vítimas.
Todos se chocam com um caso de pedofilia que vem à tona, mas muitos fecham os olhos para o fato de que a maioria deles acontece dentro das casas da família tradicional brasileira, pelos famigerados cidadãos de bem. Muitos se chocaram com o assassinato da jovem Eloá em 2008, enquanto outros diziam que a culpa era dela por ter se envolvido com o rapaz. Da mesma forma acontece atualmente com muito mais força, nos comentários das notícias sobre estupro e feminicídio, havendo sempre muita culpabilização das vítimas.
Por falar em estupro: Recentemente aconteceu o terrível caso da jovem que foi dopada e estuprada por 33 homens que filmaram e colocaram no Twitter. O vídeo dela sangrando desacordada chocou muitos, mas pouco tempo depois apareceram milhares de especulações sobre a vida da vítima, com o fim de justificar o ocorrido, ou de tirar uma parte da culpa dos ombros dos estupradores.
“Ela andava em baile funk”, “Ela usava droga”, “Ela era amiga de traficante”, até que apareceram áudios com cara de forjados, onde a mesma afirma isto, que gosta de “dar” e pronto, enquanto a ONU continua vendo o ocorrido como barbárie, a população já se volta contra a moça, até porque, mulher que “dá” não merece piedade, nem proteção. Há um mito que paira entre os paladinos da falsa moral que mulher não tem vontade própria, e que caso viva da maneira que acha correto (mesmo não sendo um modo de vida saudável), precisa arcar com a brutalidade, disfarçada de consequência.
Da mesma forma acontece com todas as minorias. Só que os brasileiros esquecem que a maioria deles se encaixa em alguma: A maioria da população brasileira é negra, mulher, trabalhador ou LGBT. Caso se unissem, se começassem a exercer empatia e parar de ver o outro como a aberração, certamente seriam maioria, mas ao invés disso, escolhem agir com a hipocrisia diária, esquecendo que neste jogo, um dia você aponta o dedo, no outro tem milhares de dedos apontados para você, dizendo que a culpa foi sua.
Não adianta se horrorizar com o nazismo, não adianta chorar com “O Diário de Anne Frank”, se reproduz diariamente as mesmas ideias de Hitler.
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