Música
Riot Grrrl: Um grito contra o machismo através do rock
No início da década de 90 nos Estados
Unidos, surge o movimento Riot Grrrl. Diante de um cenário alternativo composto
em sua maioria por homens, através de músicas, fanzines e festivais, bandas
formadas por mulheres encontraram uma forma de gritar contra a misoginia. Suas
bandas mais renomadas foram 7 Year Bitch, Babes in Toyland, Bikini Kill,
Bratmobile, L7 e Le Tigre.
(L7)
A banda considerada percussora do
movimento é Bikini Kill. Formada em Olympia, estado de Washington em 1990, era
composta por Kathleen Hanna (vocal), Billy Karren (guitarrista), Kathi Wilcox (baixista) e Tobi Vail
(baterista). Hanna era interessada por estudos feministas durante
a universidade e percebeu que na cena do rock havia uma
necessidade de um movimento que falasse sobre a misoginia e que desse espaço às
mulheres, se juntando com as outras integrantes e formando a banda.
(Bikini Kill)
(Tradução: Não deixem que eles silenciem você. Garota você é sensacional, o que você tem a dizer é importante, é relevante. Você é inegável, você é capaz, indescritível, revolucionária. Você é bonita pra caramba.)
Trazendo músicas com som pesado e letras repletas de fúria e gritos de protesto, o Riot Grrrl foi crescendo e ganhando grande notoriedade. Apesar de ser considerado revolucionário, o espaço para as mulheres no rock, ainda era muito restrito, desta forma suas admiradoras se sentiam representadas e ouvidas – Kathleen Hanna por exemplo, nos shows do Bikini Kill, pedia aos homens que dessem espaço para que as mulheres viessem para a frente do palco, “girls to the front”.
Caso Mia Zapata
Mia Zapata era a líder da banda
de punk rock The Gits, formada em Seattle. Apesar de não ter sido parte do
movimento Riot Grrrl, a banda e a figura de Mia eram admiradas pelas
integrantes do movimento. Em 1993 quando a banda tinha acabado de voltar de uma
turnê bem sucedida na Europa, em 7 de julho de 1993, enquanto voltava para
casa, Zapata foi estuprada e brutalmente assassinada aos 27 anos.
(Mia Zapata)
As investigações nunca
conseguiram identificar o assassino, porém o caso sensibilizou muitos artistas
da cena. Joan Jett e Kathleen Hanna escreveram a canção “Go Home”, que conta a
história de uma mulher que é perseguida na volta para casa, mas consegue se
safar. Artistas fundaram uma organização pelo fim da violência contra mulher,
promovendo festivais com participação de grandes bandas como Nirvana e Pearl
Jam. O grupo 7 Year Bitch, uma das principais bandas do Riot Grrrl, homenageou
Mia em seu segundo álbum de estúdio, intitulado de Viva Zapata.
Rumos do movimento e Riot Grrrl no Brasil
O Riot Grrrl se espalhou para
outras partes do mundo. No Brasil algumas bandas foram Dominatrix, Bulimia, Cínica,
Frida Punk Rock, Klitoriana, Menstruação Anárquica, Pulso, entre outras. As
integrantes do Dominatrix produziram por alguns anos o Ladyfest no Brasil, festival
sobre música, arte e feminismo, divulgando através de zines e mídias
alternativas.
Entretanto, constantemente apagadas e tendo sua imagem deturpada pela
mídia, a partir de 1998 o Riot Grrrl foi perdendo a força, no entanto, é nítida
sua influência em várias bandas até os dias de hoje, como a banda russa Pussy
Riot. Apesar de ter sido um movimento de cunho liberal, e composto em sua
maioria por mulheres brancas e de classe abastarda, trouxe à tona discussões e
questionamentos sobre a posição da mulher no mundo da música, assim como gritos
de protesto contra o patriarcado. Muitas mulheres perceberam através dele que
podiam estar na frente e em cima do palco produzindo conteúdo, além de que não
deveriam se render ao silenciamento de homens.





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